domingo, 18 de febrero de 2007

VESTIDINHO OP ART

Saudades dos homens fáceis. Saudades do carioca. Saudades dos
argentinos. Saudades de não precisar mais que olhar para trás, jogar
os cabelos e dar um sorriso para triunfar. No que é fácil eu me
divirto, me sinto bem e não me apaixono. Esse maldito choque de
culturas. ¨Hombre Iberico un carajo¨. Eu quero um sudaca mesmo, que
não me dê trabalho, que seja previsível, que me dê espaço para eu
sumir no dia seguinte e não ele.
Aqui eu tenho que virar de costas para não intimidar. Não posso virar
tanto para não espantar. Aqui todo mundo tem cara de ser ruim de cama,
mas ainda assim me dá vontade de ensinar. Eu tenho boas intenções, não
estou em busca de passaporte nem estou afim de difamar ainda mais as
brasileiras, mas seria pedir muito que esse idiotas agissem um
pouquinho mais rápido?
Saudades de querer o estranho da turma, porque eu acho que talvez
hoje eu conseguiria. Mas não, junto com a escova progressiva veio a
futilidade e uma barriguinha tanquinho nunca pareceu tão atraente.
Saudades de querer compensar a minha falta de cultura com a inteligência
alheia. Agora os intelectuais demais me intimidam e eu não gosto mais
de me sentir burra ao lado de alguém. Saudades de querer o pai que eu
nunca tive, depois de alguns anos estou preferindo o filho que eu
deixei para depois. Os mais novos me parecem mais simples, têm mais
testosterona e entendem menos as mulheres, o que me dá espaço para
ensinar do meu jeito.
Saudades de quando eu me conformava em amores platônicos, agora quero
pele e não me aquieto até conseguir. Quero meus amigos me querendo,
quero até os pedreiros me chamando de guapa. Não recuso nem o
guarda-chuva que o ambulante me deu de presente ao me ver ensopada
pela rua. Elogios são sempre bem vindo e não recuso de ninguém. Mas
quanto mais eu acho que eu possa, mais carente eu me pego. No fim das
contas quem ficou o sábado a noite em casa fui eu, mesmo tendo saído a
semana toda. Sábado a noite em casa é coisa de mulher carente, ainda
mais quando a mesma está pensando no que perdeu na sexta.
Saudades de querer de longe, de querer pouco, de me conformar comigo
mesma. Agora vinte dias em Madrid sem ninguém já me parece um conto
trágico. A vida de Barbie é dura, mas apesar da saudade não volto a
ser esquisitinha nem a pau. Ser boneca nem sempre é fácil, mas admito
que entre altos e baixos, esses são ao menos mais rápidos. E além
disso, posso sempre contar com meu vestidinho op arte que é
absolutamente infalível! Amanhã ele entra em ação!

No hay comentarios: