martes, 20 de febrero de 2007

ARIS

Um sorriso enorme! Era seu aniversário e ao ver os brigadeiros
não poderia fazer outra coisa que não sorrir. Fomos a um lugar mágico
e o sol brilhava. O calor de seus raios contrastava com o frio da
relva em que deitamos. Tudo estaria perfeito se não fosse pelo
constrangimento em manter-nos calados. O momento pedia silêncio, mas
ele não conseguia perdurar por mais que alguns segundos. O nervosismo
e falta de cumplicidade nos deixavam falando como loucos, assuntos
claramentes desinteressantes. Queriamos essa paz, queriamos falar além
das palavras, mas não conseguimos.
Ao tomar um café mais uma surpresa. O que parecia uma simples biboca,
resultou em um recinto cheio de insinuações do destino. Um bar vazio,
um aglomerado de camas em volta de mesas de chá. A luz entrava por
janelas e as sombras simétricas se projetavam sobre nossos rostos.
Estavamos deitados sem mais nada que fazer, sem mais nada que falar. A
tensão mais uma vez nos tirou a perfeição do momento. Não conseguimos
calar, não conseguimos olhar-nos nos olhos, não conseguimos tocar-nos
com o carinho. Duas horas nesta posição e já não tinhamos mais assunto
por menos interessante que fosse. Voltamos o longo caminho à casa. O
sol já baixava e a luz cálida do entardecer nos deixava minimamente
calados. O caminhar nos ocupava.
O convite para comer foi inevitável, mas ao mesmo tempo
desconfortável. No fundo estávamos cansados de nós mesmos. Fomos ao
seu apartamento e mais uma situação incômoda. O conflito entre nossa
vontade instintiva e o socialmente correto me deixava cada vez mais
tensa e uma dor de cabeça infernal começou a tomar conta de mim.
Quando finalmente me despedi seu alívio foi evidente. A falsa
afinidade de interesses nos une como grandes amigos, mas no fundo,
tanto eu como ele, sabemos que o lugar de sua boca é arrancando a
minha calcinha com os dentes.

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