lunes, 12 de marzo de 2007

STÉPHANE

Eu me apaixonei por ele porque ele faz coisas com as mãos,
porque ele tem essa conexão especial entre as idéias e os dedos.

I would like to go back in time. To the second I thought he was
insecure and lonelly and needed someone just like me. Now I know he
doesn´t need me.

Ele tem medo de se ferir e fere aos outros achando que assim não
fere a si mesmo mas acaba se ferindo ainda mais.

You would feel rejected even if I said that I love you, what do you
want me to do?

I want you to touch my hair.

Você não termina nada do que faz! Onde está o seu barco?

Hi I´m your neighbor, by the way, can you give me your friend´s
phone number?

Você pode falar comigo só mais um pouco, até eu dormir?

Are you there?

Un, deux, trois...

OS JOVENS BEIJAM

Jogos de olhares. O sorriso sai tímido e ao mesmo tempo sedutor. Até a
aproximação final, um frio na barriga e muita mexida no cabelo. Será
que eu estou dançando direitinho? É ele mesmo quem está justo aqui
atrás? Olho e o cruzamento de olhares era o que precisava. Poucos segundos
depois ele me veio comentar sobre o som que estava muito alto. Não
poderia ser melhor o xaveco. Dizer o óbvio em uma festa é dizer:
¨Gostei de você, quer me beijar?¨. Respondi com certa naturalidade.
Uma segurança estranha havia se apoderado de mim, no fundo sei que se
a primeira impressão é boa no resto eu me garanto. Conversamos um
pouco, meus amigos foram embora. Do meio da pista fomos nos
aproximando da parede. Há quantos anos não sabia o que era uma parede!
Uma "deixa" e o beijo.
Que saudades de um beijo de verdade. Desses que tiram o fôlego, com
muita língua, muito molhado e muitos lábios. O conceito de beijar bem
já nem fazia parte da minha enciclopédia. Não sei porquê, depois de
ser gente grande me acostumei a ir quase que direto para a cama. Os
jovens não! Eles beijam! Nada de jantarzinho em restaurantes caros,
nada de me buscar em casa, nada de papo intelectualóide como
preliminares: eles beijam! E como é bom beijar em uma parede, ali bem
no meio de todo mundo fazendo inveja a quem já não beija mais.
Ainda lembro quando tinha 16 anos e ficava super sem jeito quando
diziam que eu beijava bem. Dessa vez não agüentei, precisava dizer!
Eram anos sem um beijo como aquele. ¨Nossa, que beijo gostoso¨! Acho
que ele ficou surpreso, me disse que queria haver dito o mesmo mas
ficou com medo de soar cafajeste. Talvez quando eu era jovem me diziam
isso por cafajestagem - naquele momento era a mais pura verdade. Não
lembrava de um beijo tão bom em minha vida. Poderia ficar ali por
horas a fio... mas os jovens beijam e vão. Para eles existem sempre
outras bocas a serem provadas... e o que me resta é procurar outros
jovens e outras bocas e outros beijos, porque o segundo nunca é tão
bom quanto o primeiro.

O METRÔ

Hoje havia decidido sair sozinha. Meu vestido novo pedia
exclusividade, queria apenas a minha companhia. No entanto, quando a
noite chega o medo e a insegurança me fazem desistir do meu plano
auto-suficiente. Olho minha lista de contatos e em um desespero de
falta de opções chamo o panaca que me pediu a famosa ¨chupadinha¨ no
meio da rua. Pensei que na pior das hipóteses conseguiria uns
beijinhos e daria uns emporrões. Doce engano achar que ele não tinha
planos, três festinhas marcadas e nenhum tempo para mim. Tive que
apelar para o unico mané disponivel, rezando para que ele aceitasse a
minha sugestão de lugar.

Saí de casa toda feliz com meu novo vestido. Não fazia frio e estava
meio chuvoso. No caminho lembrei que em um outro dia como esse, alguém
mais interessante me esperava no metrô. Deixei o pensamento passar com
os minutos e fui atrás do mané. Ele perguntou para onde eu queria ir e
eu prontamente cuspi a resposta: ¨Calle Huertas¨. Não pensei muito
antes de dizer mas incoscientemente sabia que naquela rua os bares
eram minimamente interessantes. Acabei no Populart para não arriscar. Não
tinha nem idéia do que ia rolar, mas algo bom tinha que ser. Enquanto
isso meu acompanhante reclamava do preço da cerveja e da média de
idade. Duas coisas que me fazem brochar: pão-durismo descarado e
imaturidade. Neste exato momento percebi que eu adoraria
realmente estar sozinha. A música era linda, um jazz super sensual em uma
voz feminina. Agradeci pelo silêncio pedido e pude degustar do local
comigo mesma. Infelizmente a boa vontade alheia durou pouco, o mané
não conseguiu se agüentar. Justo no momento mais bonito da noite veio
com o comentário: ¨Sabia que a Bruna surfistinha vai vir a Madrid para
uma noite de autógrafos? Você que anda com esse
povo artista, conhece ela?¨ Não convém comentar minha resposta, mas
pode-se dizer que não foi bonita. Dei graças a Deus pelo show acabar
logo. Apesar de ter adorado, não estava mais suportando uma pessoa ao
meu lado que não sabe o significado do silêncio.
Eram quase uma e meia da madrugada, me livrei do indivíduo e fui
correndo pegar o último metrô. Embora não houvesse ninguém me
esperando na última estação estava feliz por chegar ali. Apesar de ser
o lugar onde sou obrigada a conviver com meus pensamentos e que um dia
foi o símbolo do meu pânico, hoje lembro que pode ser também um bom
lugar para escrever uma linda canção ... espero um dia poder
escuta-la.

REAL

Já passaram mais de dois meses desde a última vez que nos
vimos. Não sei bem por quê sua imagem tem aparecido na minha mente.
Talvez pela minha solitude, talvez por guardar boas lembranças, talvez
por ele ter deixado um gostinho de quero mais. Apesar da distância e
da falta de assunto resolvo dizer um olá virtual. Na verdade nem
esperava resposta no seu status de ausente e quando a recebo fico sem
saber o que dizer. Pergunto como está e tento contar o que tenho
feito. Trocamos arte e por ela entro um pouco no seu mundo. Percebo
que usamos a mesma lente e temos impressões muito parecidas do caos da
vida. Não consigo parar de me perguntar como pessoas assim passam por
mim e eu simplesmente deixo ir. Pego-me procurando clones quando eu
simplesmente poderia ter sido mais competente em não assustar o
original.
Que máscara é essa que uso e pareço tão ameaçadora? Mais uma vez
escrevendo sobre alguém que deixou seu gosto em minha boca e partiu
sem dizer adeus. Em que parte eu deixei desandar? O que será pior,
provar e perder ou morrer sem saber que gosto tem? As vezes tenho a
impressão que fui destinada a ter amostras de tudo que é bom, sem
nunca ter por completo. Ou quem sabe me especializei em idealizar
contos de fadas urbanos, com inícios reais e finais imaginários. Hoje
comprei meu vestido de princesa, com ele espero encontrar algo além de
um começo... quem sabe até um final, de preferência feliz.

QUEM É VOCÊ?

Quem é você que apareceu assim sem pedir licença? Que confundiu minha
vida justamente quando estava mais organizada. Que me fez perceber que
eu quero à alguém além de mim mesma. Que me faz pensar oniricamente e
sonhar com obras de arte. Você que me molha com sua voz as duas da
manhã. Que me inspira a criar e me completa. Que me sente por
telepatia e me prova em palavras.

Quem diabos é você que nem é real e me atormenta tanto? Que insiste em
me encontrar no meio da rua mesmo com um oceano de distância. Que
entra na minha caminha apertada enquanto eu durmo e não me deixa
acordar. Meu gosto já tem gosto de você e eu nem sei que gosto você
tem. Deixa-me provar, que eu preciso de você pra me conhecer melhor.

martes, 20 de febrero de 2007

A VOLTA

Tens certeza que queres voltar? Me deixastes porque não me
entendias e creio que hoje me entendes todavia menos. Se quando
estavamos juntos eu era louca, hoje sou mais ainda. Hoje creio que
esta dita loucura é meu dom, meu maior presente. Tens certeza que
queres voltar? Vais suportar meus surtos criativos, sumiços
inesperados e picos de humor? Vais conseguir aguentar minhas mundanças
de opiniões e incertezas quanto ao meu querer? Vais cuidar do que eu
não cuido sem me culpar por isso? Vais me querer sendo um e aceitar
que as vezes eu não sou sua?
Não sei se quero voltar... Ainda te amo, sempre te amei, mas não sei
se é este amor que preciso para estarmos juntos. Ao teu lado me amei
menos, me podei mais, fui menos feliz. Ao teu lado queria ser normal e
cumprir normas está contra a minha natureza. Tens certeza que queres
voltar? E se eu acordo com vontade de patinar descalça no gelo, me
acompanhas? E se eu tiver com vontade de visitar um hospital você me
leva? E não vai ter ciúmes das minhas fotos mais provocativas? E se eu
te ligar da França depois de ter saído para comprar pão, cuidas de
nossos filhos? Ou nossos cachorros...
Não sei se quero voltar... Não sei se quero que voltes... A chave
está embaixo da porta, certas coisas não mudaram, só as importantes...

ARIS

Um sorriso enorme! Era seu aniversário e ao ver os brigadeiros
não poderia fazer outra coisa que não sorrir. Fomos a um lugar mágico
e o sol brilhava. O calor de seus raios contrastava com o frio da
relva em que deitamos. Tudo estaria perfeito se não fosse pelo
constrangimento em manter-nos calados. O momento pedia silêncio, mas
ele não conseguia perdurar por mais que alguns segundos. O nervosismo
e falta de cumplicidade nos deixavam falando como loucos, assuntos
claramentes desinteressantes. Queriamos essa paz, queriamos falar além
das palavras, mas não conseguimos.
Ao tomar um café mais uma surpresa. O que parecia uma simples biboca,
resultou em um recinto cheio de insinuações do destino. Um bar vazio,
um aglomerado de camas em volta de mesas de chá. A luz entrava por
janelas e as sombras simétricas se projetavam sobre nossos rostos.
Estavamos deitados sem mais nada que fazer, sem mais nada que falar. A
tensão mais uma vez nos tirou a perfeição do momento. Não conseguimos
calar, não conseguimos olhar-nos nos olhos, não conseguimos tocar-nos
com o carinho. Duas horas nesta posição e já não tinhamos mais assunto
por menos interessante que fosse. Voltamos o longo caminho à casa. O
sol já baixava e a luz cálida do entardecer nos deixava minimamente
calados. O caminhar nos ocupava.
O convite para comer foi inevitável, mas ao mesmo tempo
desconfortável. No fundo estávamos cansados de nós mesmos. Fomos ao
seu apartamento e mais uma situação incômoda. O conflito entre nossa
vontade instintiva e o socialmente correto me deixava cada vez mais
tensa e uma dor de cabeça infernal começou a tomar conta de mim.
Quando finalmente me despedi seu alívio foi evidente. A falsa
afinidade de interesses nos une como grandes amigos, mas no fundo,
tanto eu como ele, sabemos que o lugar de sua boca é arrancando a
minha calcinha com os dentes.